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Promoção da Saúde Mental dos sujeitos em deslocamento

Gicelma Barreto Nascimento, Tainã Rocha e Iassana Scariot 



Migrar não é apenas trocar de lugar geográfico, mas atravessar transformações emocionais profundas que muitas vezes permanecem sem nome, à espera de elaboração. Essa jornada, repleta de desafios e descobertas, exige um olhar atento para a saúde mental e o suporte emocional. Como alguém que viveu essa experiência, entendo que o processo de adaptação vai muito além da logística e envolve sentimentos complexos que precisam ser acolhidos.


Entendendo as Emoções na jornada de sujeitos em deslocamento


Ao deixar o país de origem, somos confrontados com uma série de mudanças que frequentemente repercutem na vida psíquica. A distância dos vínculos familiares e sociais, o choque cultural, a sensação de isolamento e a necessidade de reconstruir uma rede de apoio são apenas algumas das experiências que podem ser mobilizantes.


Essas emoções podem se manifestar de formas variadas, como ansiedade, tristeza, insegurança e até mesmo crises de identidade. É fundamental reconhecer que esses sentimentos são naturais e fazem parte do processo de adaptação.

Para lidar com essas transformações, é importante:

  • Aceitar as emoções sem julgamentos.

  • Buscar informações sobre a cultura local para facilitar a integração.

  • Manter contato com familiares e amigos no país de origem.

  • Estabelecer rotinas que tragam segurança e conforto.

Essas ações ajudam a criar um ambiente emocional mais estável e a reduzir o impacto do estresse causado pela mudança.


 O espaço de análise na vida dos sujeitos que migram


O suporte clínico é uma ferramenta valiosa para quem vive fora do país. A escuta psicanalítica oferece um lugar para a expressão de sentimentos, para começar a conhecer-se enquanto sujeito em deslocamento e encontrar novos modos de habitar o novo território.


O espaço de análise pode favorecer:

  • A elaboração de perdas, rupturas e marcas subjetivas implicadas na experiência migratória.

  • A construção de novos modos de se situar diante dos impasses produzidos pela mudança de país, de língua e de referências culturais.

  • Uma leitura sobre os efeitos dos encontros e desencontros culturais na relação consigo mesmo e com os outros.

  • A produção de um saber sobre os próprios modos de desejar, sofrer e estabelecer laços.


Psicólogo pode atender imigrantes?


Sim, psicólogos podem atender imigrantes, desde que estejam habilitados e respeitem as normas éticas e legais do país onde atuam. Muitos profissionais oferecem atendimento online, o que facilita o acesso para os sujeitos que se deslocaram que ainda não dominam o idioma local ou que preferem manter a conexão com a cultura de origem.

É importante buscar psicólogos que tenham experiência com questões interculturais e que compreendam as especificidades da vida no exterior. Isso possibilita um atendimento mais sensível e ético.

Algumas dicas para encontrar o profissional mais indicado para você:

  1. Verifique a formação e  percurso em psicologia migratória ou intercultural.

  2. Confirme a possibilidade de atendimento em seu idioma nativo ou aquele adquirido no país de acolhimento.

  3. Avalie a flexibilidade de horários, considerando os diferentes fusos horários.

  4. Procure indicações de conhecidos ou amigos, ou em grupos de apoio a migrantes.

Ter um profissional que  acompanhe a sua realidade pode fazer toda a diferença na qualidade do suporte recebido.


Estratégias Práticas para Fortalecer a Saúde Mental no Exterior


Além do acompanhamento psicológico, existem práticas que  funcionam como fatores de proteção da saúde mental durante a experiência de viver fora do país. Algumas delas são:

  • Criar uma rede de apoio local: Participar de grupos  dos locais que frequenta (sejam estes de nativos ou conterrâneos) pode diminuir a sensação de isolamento.

  • Manter hábitos saudáveis: Alimentação equilibrada, exercícios físicos e sono adequado são fundamentais.

  • Aprender o idioma local: Facilita a comunicação e aumenta a autonomia.

  • Explorar a cultura local: Conhecer novos costumes e lugares ajuda a criar vínculos e a sentir-se parte da comunidade.


Essas ações, combinadas com o suporte psicológico, podem fortalecer a capacidade de adaptação e promover uma experiência mais equilibrada.



Construindo um espaço de referência em acolhimento para pessoas migrantes


O Espaço Diásphora Psi tem como missão oferecer um espaço de escuta seguro e acolhedor, em que cada sujeito possa explorar e ressignificar suas experiências, elaborar seu mal-estar e encontrar saídas singulares para seus conflitos através de um atendimento psicanalítico ético, seja presencialmente ou online. Nosso compromisso é sustentar um espaço compreensivo, onde cada história é respeitada e cada desafio é acompanhado com empatia. Oferecemos apoio para a saúde mental de migrantes, apátridas, refugiados e suas famílias. Sabemos que migrar é um processo complexo e que o acolhimento emocional é essencial para atravessar essa fase com mais leveza e segurança. 


Se você está vivendo essa experiência, lembre-se: buscar ajuda é um ato de coragem e cuidado consigo mesmo. A transformação emocional que acompanha a migração pode ser profunda, mas com o suporte adequado, é possível encontrar equilíbrio, crescimento e novas possibilidades. Migrar é, acima de tudo, uma viagem interna. Cuidar da mente e do coração é tão importante quanto organizar a mudança física. Que possamos dar voz às emoções que surgem nesse caminho e construir juntos uma rede de apoio que acolha e fortaleça cada sujeito em deslocamento.



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